É muito mais do que uma simples ideia
Faz algum tempo que não escrevo por aqui mas finalmente tomei a vergonha na cara e resolvi voltar a publicar aqui.
Eu tinha um velho rascunho de post aqui no meu caderno onde abordava o que eu queria para o futuro (futuro de qual hoje eu escrevo) e de forma engraçada, pude trabalhar com ambas questões que abordei.
O Design Editorial e o Pensamento Estratégico
Sendo um rato de biblioteca desde que me conheço por gente, seria estranho da minha parte não ter alguns trabalhos da área que tanto amo: Editorial. Tive a oportunidade de realizar dois trabalhos cruciais esse ano: O Zine Musical e o trabalho sobre o meu processo criativo.
Começando pelo final, eu sempre lutei contra o silêncio. As palavras sempre se enrascavam na minha garganta então o que sempre sobrou foi o papel e caneta em mãos. Logo quando foi dito que precisávamos ilustrar de alguma maneira o nosso criativo, a ideia perfeita veio correndo como um relâmpago pelas minhas veias. Não é sempre que isso acontece mas quando acontece, não tem como negar que é sempre um estouro.

Escrevi esse rascunho em mais ou menos 5 minutos. E venho de novo ressaltar que ideias como essa são exceções a regra. Em um geral, todo processo criativo é uma questão de resiliência, entre você e a página / arquivo em branco. O mais teimoso sempre vence.
Depois disso tive uma infinidade de ideias e tentativas falhas na hora de executar a ideia original. Depois de acumular algumas pilhas de acertos e erros, construí uma opção que me agradou. De fato não foi o que eu imaginava, mas foi o que eu construí.
Não quero entrar necessariamente nos detalhes menores mas ao rever algumas notas antigas eu vi que tinha "criado" esse poster / processo criativo muito antes. Segue um trecho de uma nota antiga escrita a dois meses atrás:
Nas ultimas semanas eu vinha tendo uma grande dificuldade com a escrita. Parecia que todos os assuntos me escapavam, que as palavras corriam e que o papel fazia questão de escorrer cada verso escrito. Eu estava em uma guerra interna e creio que toda pessoa que ama escrever já sentiu isso.
Parafraseando de um livro maravilhoso que estou lendo (The Zen In The Art Of Writting): First and foremost, it reminds us that we are alive and that it is a gift and a privilege, not a right. We must earn life once it has been awarded us.
A escrita tem esse efeito na minha pessoa como em tanto outros escritores. A escrita me lembra que eu estou vivo. É uma prova viva de que eu estive aqui, que apesar de todos os pesares: Eu existo. Eu sinto. Eu estou vivo. Cada tecla pressionada, cada gota de tinta derramada no papel é um brado a vida. É uma maneira de eu dizer "ei, eu ainda luto".
E o meu cartaz diz exatamente isso:
Palavras pintam o meu mundo. Primeiro eu vou a Palavra e após uma longa destilação de sentidos, expressões e dicionários perdidos, as cores começam a tomar conta. Não há economias para esse quadro que fora encomendado. As opções motoras como desenho acabam por me limitar mas aqui, neste reino de tipos, piadas internas, livros lidos e risadas gastas a toa, eu crio. Penso caminhando e desejando que o meu próximo passo me leve a palavra certa. Vejo que no início da criação havia 7 dias, 7 modos e 7 versos. E mesmo estando perdido em tipos, busco mudar o meu olhar. Se no início ele era o verbo, como eu (criação) não hei de ser?
Mas o que eu quero dizer com isso tudo?
Que primeiramente:
- Ideias não vêm do nada.
- Você nunca cria alguma coisa literalmente do nada.
- E que você vai errar muito, mas muito mesmo
- Mas que principalmente: Você vai se sentir vivo se passar por tudo isso
O conceito do cartaz não veio do nada, ele estava o tempo todo se adaptando e se misturando com novas ideias e experiências que vinha tendo. Eu só pude "capturar" as ideias por quê eu já estava pronto para isso. Eu tinha o repertório e por algum acaso, as conexões se formaram.
Eu não me restringi pensando que aquela primeira ideia seria completamente descartável mas sim que se alguma coisa mudasse, as coisas antigas serviriam como adubo para as novas ideias que estariam por vir
Nós temos um termo na área criativa chamado de Brainstorming, ou Tempestade De Ideias. O grande problema das pessoas é que elas normalmente executam esse método da maneira errada. Se restringindo ou fazendo nas piores condições possíveis.
Haverão trabalhos onde você não vai poder escolher as pessoas com que vai trabalhar ou o ambiente mais confortável. Mas se tem algo que você pode fazer é ter uma boa relação consigo mesmo e com seus pensamentos para que no caso de não haver ninguém legal para trocar ideias, você tem a si mesmo.
E outra coisa importante: É preciso estar atento e relaxado ao mesmo tempo quando o assunto são ideias. O paradoxo é proposital porquê não tem fórmula, mas tem intenção. A intenção não garante um resultado mas ela te leva ao lugar em que você deveria estar.
Considerações finais
Pra quem achou que tinha pouca coisa para falar, foi um texto e tanto. Deixou esse finalzinho com algumas recomendações de vídeos e textos que me auxiliaram no processo de escrever esse post:
David Bowie on Stardust - Uma entrevista curta no Youtube. Os primeiros 22 segundos são tudo o que precisava para escrever esse texto